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Eu não sabia nada sobre ser mãe

A psicóloga e atriz Chris Linnares achava que sabia todas as teorias para se tornar uma boa mãe, mas se surpreendeu quando nasceu Luiza

Quando solteira, eu ia “espontaneamente” às festinhas de meus sobrinhos. Sentada a uma mesa estratégica, com ampla visão, pernas cruzadas, num salto alto chiquérrimo, comendo croquetinhos de queijo e contando as calorias do lanchinho de carne louca, eu só observava, enquanto as “loucas” das minhas cunhadas corriam pelo salão com suas unhas malfeitas, cabelos desfeitos, atrás daquelas crianças mimadas que, por sua vez, corriam descalças naquele chão encardido com restos de coxinha amassada... Meu Deus, que escândalo!

EU, DO ALTO DE MINHA BEM COLOCADA PESSOA, SÓ OLHAVA PARA OS LADOS COM AQUELE AR DE QUEM ACABOU DE SE FORMAR EM PSICOLOGIA, ACREDITANDO SABER ABSOLUTAMENTE TUDO SOBRE TODAS AS TEORIAS EDUCACIONAIS EXISTENTES, E, SEM PERDER A CHANCE, DISTRIBUÍA MEUS CONHECIMENTOS.

– Ah, se fosse minha filha... – e já tirava da minha cartola Channel falsificada teorias de Winnicot, Piaget e filosofias de como o mundo seria melhor se todas as crianças fossem educadas por uma brilhante recém-formada em psicologia como eu.

Depois de ficar quase cinco anos em cartaz com a comédia “Divas no Divã”, contando as aventuras da vida de solteira, encontrei meu príncipe encantado. Só que, em vez de mudar para o seu castelo, mudei-me para um dos lugares mais frios dos Estados Unidos, com temperaturas de 35 abaixo de zero, e me tornei madrasta de duas lindas meninas até engravidar da terceira, a pequena Luiza.

Eu achava que sabia tudo sobre maternidade... até eu me tornar mãe! Descobri que nesse lindo e desafiante caminho existem muitas coisas que todas as mães que conheço esqueceram de me avisar. Vou contar algumas delas.

Sexo: já avisa o maridão que os 40 dias quarentena podem virar 400! No primeiro ano da chegada do seu bebê você pode ficar tão exausta que sexo para você vai ser uma boa oportunidade para fazer as unhas!

Amamentação: esqueça aquelas fotos lindas de propaganda de leite materno onde a mãe está alegre e tranquila segurando em seu colo aquele calmo bebezinho. Na realidade, nas primeiras semanas de amamentação, a última coisa que você vai querer é ter alguém tirando foto da sua cara de desespero!

Os primeiros passos: quem disse que criança aprende a andar? Eles aprendem a correr até baterem a cabeça na primeira barreira que encontrarem – que geralmente é uma porta de vidro na casa da sua sogra!

Televisão: antes de ter minha filha eu jurei pela alma de Winnicot (pediatra e psicanalista britânico que escreveu várias teorias sobre o desenvolvimento da criança), que jamais seria o tipo de mãe que coloca o filho em frente à TV. Anos depois, o que mais desejo, depois de um dia de trabalho, é ter um lançamento como “A versão completa de Cinderella”, em que ela demora no mínimo 3 horas para encontrar o príncipe.

Tem outra coisa que esqueceram de me falar: no fim da noite, quando olhamos para aquele rostinho lindo e ouvimos: “Mamãe eu te amo”, compreendemos que, sofrendo ou não, temos a oportunidade de nos sentir nas alturas. Como o escritor Léo Buscáglia falou: “Somos anjos com uma só asa. Somente conseguimos voar quando estamos abraçados.”

Comentários

Daniela de Souza Woitezak - Passo Fundo/RS 13/08/2010 13h35

Eu fui mãe aos 16 anos, e digo que não imaginava como era ser uma MÃE... além de na época eu ser uma criança, eu tive que crescer, me tornar uma super mãe e mulher. Eu nem sabia o que era ser mulher, imagine mamãe de um bebê que pra mim, mais parecia a minha boneca. Hoje agradeço por ter me tornado mãe, uma super-mulher e amiga do do meu garoto lindo que hoje está com 10 anos.

Gilmara - São Paulo/SP 12/08/2010 16h11

Minha mãe sempre me disse que eu só entenderia muitas dessas coisas quando tivesse meus próprios filhos e eu na imponencia da juventude, jurava que ela estava errada e eu certa. Hoje com meu pequeno pra criar tenho que dar a mão a palmatória, ela, assim como a matéria, sempre estiveram certas!

Débora Guimarães - São Paulo/SP 10/08/2010 19h43

eu fui mãe aos 36 anos e também vivia falando que faria diferente das outras mães, mas quando o Miguel nasceu, ai sim compreendi que as coisas não são bem assim. mordi a lingua, rsrss

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"Eu achava que sabia tudo sobre maternidade... até eu me tornar mãe!"

Chris Linnares, mãe de Luiza, é atriz e psicóloga, autora da peça e do livro Divas no Divã.

/ mãe

Eu não sabia nada sobre ser mãe

A psicóloga e atriz Chris Linnares achava que sabia todas as teorias para se tornar uma boa mãe, mas se surpreendeu quando nasceu Luiza

Quando solteira, eu ia “espontaneamente” às festinhas de meus sobrinhos. Sentada a uma mesa estratégica, com ampla visão, pernas cruzadas, num salto alto chiquérrimo, comendo croquetinhos de queijo e contando as calorias do lanchinho de carne louca, eu só observava, enquanto as “loucas” das minhas cunhadas corriam pelo salão com suas unhas malfeitas, cabelos desfeitos, atrás daquelas crianças mimadas que, por sua vez, corriam descalças naquele chão encardido com restos de coxinha amassada... Meu Deus, que escândalo!

EU, DO ALTO DE MINHA BEM COLOCADA PESSOA, SÓ OLHAVA PARA OS LADOS COM AQUELE AR DE QUEM ACABOU DE SE FORMAR EM PSICOLOGIA, ACREDITANDO SABER ABSOLUTAMENTE TUDO SOBRE TODAS AS TEORIAS EDUCACIONAIS EXISTENTES, E, SEM PERDER A CHANCE, DISTRIBUÍA MEUS CONHECIMENTOS.

– Ah, se fosse minha filha... – e já tirava da minha cartola Channel falsificada teorias de Winnicot, Piaget e filosofias de como o mundo seria melhor se todas as crianças fossem educadas por uma brilhante recém-formada em psicologia como eu.

Depois de ficar quase cinco anos em cartaz com a comédia “Divas no Divã”, contando as aventuras da vida de solteira, encontrei meu príncipe encantado. Só que, em vez de mudar para o seu castelo, mudei-me para um dos lugares mais frios dos Estados Unidos, com temperaturas de 35 abaixo de zero, e me tornei madrasta de duas lindas meninas até engravidar da terceira, a pequena Luiza.

Eu achava que sabia tudo sobre maternidade... até eu me tornar mãe! Descobri que nesse lindo e desafiante caminho existem muitas coisas que todas as mães que conheço esqueceram de me avisar. Vou contar algumas delas.

Sexo: já avisa o maridão que os 40 dias quarentena podem virar 400! No primeiro ano da chegada do seu bebê você pode ficar tão exausta que sexo para você vai ser uma boa oportunidade para fazer as unhas!

Amamentação: esqueça aquelas fotos lindas de propaganda de leite materno onde a mãe está alegre e tranquila segurando em seu colo aquele calmo bebezinho. Na realidade, nas primeiras semanas de amamentação, a última coisa que você vai querer é ter alguém tirando foto da sua cara de desespero!

Os primeiros passos: quem disse que criança aprende a andar? Eles aprendem a correr até baterem a cabeça na primeira barreira que encontrarem – que geralmente é uma porta de vidro na casa da sua sogra!

Televisão: antes de ter minha filha eu jurei pela alma de Winnicot (pediatra e psicanalista britânico que escreveu várias teorias sobre o desenvolvimento da criança), que jamais seria o tipo de mãe que coloca o filho em frente à TV. Anos depois, o que mais desejo, depois de um dia de trabalho, é ter um lançamento como “A versão completa de Cinderella”, em que ela demora no mínimo 3 horas para encontrar o príncipe.

Tem outra coisa que esqueceram de me falar: no fim da noite, quando olhamos para aquele rostinho lindo e ouvimos: “Mamãe eu te amo”, compreendemos que, sofrendo ou não, temos a oportunidade de nos sentir nas alturas. Como o escritor Léo Buscáglia falou: “Somos anjos com uma só asa. Somente conseguimos voar quando estamos abraçados.”