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Dr. saul cypel

pai de Marcela, Irina, Eleonora e Bruna, é professor livre-docente de Neurologia Infantil, consultor do Programa de Desenvolvimento Infantil da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, diretor do Instituto de Neurodesenvolvimento Integrado (INDI) e neuropedi

Cabeça feita

Fique de olho na fala

É importante conversar com o seu filho e ouvir o que ele tem a dizer mesmo antes de pronunciar a primeira palavra

A linguagem compõe-se de dois aspectos fundamentais: compreensão (que é a capacidade de entender o que lhe é dito) e expressão, que se realiza por meio da fala e/ou gestos. Para que a fala possa brotar, entram em ação um conjunto de fatores, como maturação fonoarticulatória (os órgãos fonatórios precisam adquirir condições para articular o que a criança quer emitir); estimulação adequada do ambiente, principalmente de mãe e pai e, finalmente, condições afetivas.

Por volta do 3º e 4º meses, inicia-se o que chamamos de balbucio, sons guturais (gugugu, gaguga), boa parte das vezes acompanhados de sorriso e um olhar interessado. Já em torno do 6º mês, a criança passa a emitir dissílabos (bababa, momama, papepa). É o período de lalação, no qual a riqueza sonora vai se ampliando gradativamente.

AS PRIMEIRAS PALAVRAS DE FATO ACONTECEM POR VOLTA DOS 12 MESES, QUANDO SE CONSIDERA, DO PONTO DE VISTA PRÁTICO, QUE A CRIANÇA COMEÇA A FALAR. AS PRIMEIRAS PALAVRAS, EM GERAL, SÃO ‘MAMÃE’ E ‘PAPAI’, PARA A ALEGRIA DELES. O BEBÊ REPETE O QUE TANTO DIZEMOS AO FALAR COM ELE. DURANTE ESSA CONVERSA, A CRIANÇA TEM A OPORTUNIDADE DE APRENDER A EMISSÃO DE SONS AO OBSERVAR A MOVIMENTAÇÃO DOS LÁBIOS DOS PAIS.

A partir desses marcos iniciais, a fala vai se enriquecendo. Surgem as “soluções de facilidade”, que acontecem quando a criança troca ou omite parte da palavra e diz “tassolo” em vez de cachorro, “elojo” por relógio... Depois vêm as frases curtas, com duas ou três palavras, como “qué água”, por volta dos 2 anos, ampliando-se de forma agramatical, sem conjunções ou com verbos malflexionados. Só entre os 4 e 5 anos as crianças adquirem o contexto gramatical e falam corretamente. Há variações individuais. Dentro de limites sensatos, poderá haver espera, caso se perceba que vão acontecendo aquisições e a criança progride, ainda que lentamente. É necessário acompanhar todo o processo.
Se há suspeita de atraso no desenvolvimento da linguagem, é preciso falar com o pediatra da criança. Boa parte das vezes, o problema se restringe à fala e apresenta boa evolução com uma orientação profissional adequada.

Em outras circunstâncias, esse atraso pode estar relacionado a condições clínicas deneurodesenvolvimento mais complexo.

Vale alertar para o fato de que algumas crianças têm deficiência auditiva congênita, ou seja, nasceram com problemas de audição. Elas balbuciam até perto do 6º mês de vida e logo depois param de emitir sons e não chegam a lalar ou mesmo a falar palavras. Chama atenção nesses casos a ausência ou pobreza de reação a sons: a criança não responde ao ser chamada pelo nome ou não reage até a ruídos intensos, como uma porta batendo.

É importante que se faça um diagnóstico precoce, antes do fim do primeiro ano, quando a possibilidade de reabilitação é maior. É melhor pecar pelo excesso de preocupação do que esperar que as coisas se ajeitem sozinhas: “mais hora menos horas a fala vai brotar... com seu pai foi a mesma coisa”... Isso poderá retardar a intervenção médica adequada. Hoje sabemos que, quanto mais cedo se inicia um tratamento, melhores os resultados.

Em outras circunstâncias, verifica-se que o atraso na linguagem acompanha-se de alterações comportamentais, mais especialmente da ausência ou pobreza de interação: o contato “olho no olho” é fugaz e a criança busca atividades nas quais brinca isoladamente. São sinais precoces de alterações inseridas no espectro autista, que expressam um distúrbio no desenvolvimento da personalidade daquele indivíduo.

Diante disso, vamos prestar mais atenção em como nossos pequenos descendentes estão se comunicando?

Cabeça feita

O que você precisa saber sobre toxoplasmose

A doença pode ser perigosa durante a gravidez, mas é possível prevenir o contágio tomando algumas precauções simples

A toxoplasmose é uma doença que existe no mundo todo, causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, achado em humanos e em um grande número de animais comuns (como gatos e pombas), além de espécies selvagens. A transmissão ocorre principalmente pela ingestão de carne crua, leite contaminado e não fervido, contaminação fecal de água e de vegetais em contato com solo em que existam dejetos de gatos com o parasita – e, finalmente, por transmissão congênita, quando a mãe foi infectada durante a gestação e a doença passa para o feto.

Em crianças maiores, a doença é pouco ou nada sintomática, podendo ocorrer alterações como febre, dores musculares, erupção cutânea e outras pouco específicas. Muitas vezes, nem mesmo chega-se a diagnosticar que a criança teve toxoplasmose, já que os sintomas podem ser confundidos com uma simples gripe. Entretanto, o quadro pode ser muito sério no caso de crianças imunossuprimidas, ou seja, que estão passando por tratamentos que implicam o uso de remédios que as fragilizam imunologicamente, reduzindo suas defesas. É o caso de crianças em tratamento quimioterápico para leucemia ou que estejam usando corticosteroides por precisarem passar por transplantes renais. E, mais especialmente, aquelas com Aids.

Muita gente só houve falar na doença durante a gravidez, já que ela se torna especialmente perigosa nesta fase. Se a mãe se infecta na gestação, o parasita atravessa a placenta por via sanguínea e pode atingir o feto em 30% dos casos. As consequências podem ser bastante graves, como abortamento ou morte fetal – ou, então, sequelas variadas, entre elas oculares ou neurológicas. O exame laboratorial de sangue, para identificar se a gestante tem anticorpos contra a doença, é obrigatório no pré-natal. Caso a grávida tenha tido contato prévio com o protozoário, tem imunidade e não precisa se preocupar. Se não tiver tido, precisa redobrar os cuidados. No caso de estar doente durante a gestação, o exame propicia o diagnóstico e a possibilidade de tratamento.

Boa parte dos recém-nascidos não apresenta sintomas ao nascer; porém, cerca de 25% mostram alguma manifestação no exame clínico. Mesmo nos casos de maior gravidade, é possível tratar, mas, quase sempre, há algum tipo de sequela. A boa notícia é que a doença pode ser prevenida com medidas de higiene e cuidados alimentares: lavar as verduras, tomar cuidado ao manipular e higienizar os locais dos animais domésticos e evitar praças e playgrounds onde os pombos passeiam livremente são algumas medidas.