|
A toxoplasmose é uma doença que existe no mundo todo, causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, achado em humanos e em um grande número de animais comuns (como gatos e pombas), além de espécies selvagens. A transmissão ocorre principalmente pela ingestão de carne crua, leite contaminado e não fervido, contaminação fecal de água e de vegetais em contato com solo em que existam dejetos de gatos com o parasita – e, finalmente, por transmissão congênita, quando a mãe foi infectada durante a gestação e a doença passa para o feto.
Em crianças maiores, a doença é pouco ou nada sintomática, podendo ocorrer alterações como febre, dores musculares, erupção cutânea e outras pouco específicas. Muitas vezes, nem mesmo chega-se a diagnosticar que a criança teve toxoplasmose, já que os sintomas podem ser confundidos com uma simples gripe. Entretanto, o quadro pode ser muito sério no caso de crianças imunossuprimidas, ou seja, que estão passando por tratamentos que implicam o uso de remédios que as fragilizam imunologicamente, reduzindo suas defesas. É o caso de crianças em tratamento quimioterápico para leucemia ou que estejam usando corticosteroides por precisarem passar por transplantes renais. E, mais especialmente, aquelas com Aids.
Muita gente só houve falar na doença durante a gravidez, já que ela se torna especialmente perigosa nesta fase. Se a mãe se infecta na gestação, o parasita atravessa a placenta por via sanguínea e pode atingir o feto em 30% dos casos. As consequências podem ser bastante graves, como abortamento ou morte fetal – ou, então, sequelas variadas, entre elas oculares ou neurológicas. O exame laboratorial de sangue, para identificar se a gestante tem anticorpos contra a doença, é obrigatório no pré-natal. Caso a grávida tenha tido contato prévio com o protozoário, tem imunidade e não precisa se preocupar. Se não tiver tido, precisa redobrar os cuidados. No caso de estar doente durante a gestação, o exame propicia o diagnóstico e a possibilidade de tratamento.
Boa parte dos recém-nascidos não apresenta sintomas ao nascer; porém, cerca de 25% mostram alguma manifestação no exame clínico. Mesmo nos casos de maior gravidade, é possível tratar, mas, quase sempre, há algum tipo de sequela. A boa notícia é que a doença pode ser prevenida com medidas de higiene e cuidados alimentares: lavar as verduras, tomar cuidado ao manipular e higienizar os locais dos animais domésticos e evitar praças e playgrounds onde os pombos passeiam livremente são algumas medidas. |