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Dr. Leonardo Posternak

pai de Luciana e Thiago, é pediatra há 37 anos, presidente do Instituto da Família (IFA) e membro da comissão de saúde mental da Sociedade de Pediatria de SP

Dr. Leonardo

Fábrica de cidadãos

É na vida familiar que se inicia a construção da cidadania. Além de respeitar o direito das crianças, os pais têm obrigação de fazê-las saber que também têm deveres. Chega de gente que acha que pode tudo a qualquer hora!

Deve-se evitar a mensagem dupla. Que simplesmente seja feito na prática o que se proclama no discurso.

A criança é um ser capaz, pensante e sensato. Tratemô-la como tal. Mas comecemos rápido, pois, para ela, o futuro é hoje. Não podemos mutilar sua inocência nem explorar sua credulidade. Muito menos fraturar seu futuro.

É fundamental que as crianças tirem proveito da verdadeira educação, que consiste, além do pensar, em pensar sobre o que se pensa. Não podemos deixar que percam a fé na verdade. Se acreditam em tudo, acabam não acreditando em nada. E assim deixam de refletir.

Graças a Deus, não existe um teste mais exigente para a verdade do que aquele que resulta na reação emocional da criança diante do verdadeiro ou do falso, da verdade ou da mentira.

Como diz o poeta Thiago de Mello: “O homem confiará no homem, como a criança confia na criança e os homens ficarão livres das algemas da mentira ...”

Dr. Leonardo

O bambu e a educação dos filhos

Por que devemos criar os filhos como se cuida de um bambu japonês

O que acontece com o bambu japonês, que o transforma em algo não apto para pessoas impacientes e imediatistas, é muito curioso. É semeado, se lhe oferece água e nutrientes e se cuida dele constantemente. Durante meses, melhor dizendo, nos primeiros sete anos, não acontece nada que possa ser objetivável, até o ponto que o cultivador menos experiente fica convencido de que cuidou de sementes ruins, sem fertilidade. Mas, durante o sétimo ano e só em seis semanas, o bambu cresce mais de 30 metros!

Será que demorou só seis semanas para crescer? Com certeza podemos responder rotundamente que não, ele levou sete anos e seis semanas para se desenvolver.
Durante esse tempo, não pode ser descuidado apesar da aparente, só aparente, inatividade.

Esse bambu estava gerando um complexo sistema de raízes que lhe permitirá ter o bom crescimento e desenvolvimento sete anos depois. Na vida cotidiana, incluindo fundamentalmente o cuidado na educação dos filhos, muitas vezes pretendemos achar soluções rápidas, com muita pressa e sem reflexão. O êxito, tanto no cultivo do bambu quanto na educação dos filhos, é a consequência da somatória dos cuidados e das forças internas do crescimento, e isto requer tempo. A semelhança entre os dois exemplos não é coincidência. Cuidemos dos filhos como se cuida do bambu: eles serão fortes e retos em todos os sentidos.