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Febre, e agora?

E agora mantenha a calma. Mas sabendo que a febre é o aviso de que algo não vai bem no organismo da criança

Todo mundo que tem filho já levou susto quando viu o termômetro acusar que a temperatura do bebê estava subindo. Por mais normal que seja, é impossível ficar indiferente diante de uma criança fraca, com mal-estar, dores no corpo e sem apetite, os sintomas principais. Mas se a temperatura subiu, saiba que isso é um bom sinal. A febre em si não é doença ou prejudicial ao organismo, mas uma reação que ajuda na defesa contra algum agressor, seja ele uma bactéria, um vírus ou mesmo alguma vacina ou remédio.

“A febre deve ser vista como uma coisa boa, não ruim. Ela é parte fundamental do desencadeamento de todo o mecanismo de defesa”, tranqüiliza o dr. Evandro Roberto Baldacci, pai de Enzo, Letícia, Roberto e Evandro, pediatra e professor titular de pediatria da Unimes (Universidade Metropolitana de Santos).

Então tudo bem se o seu filho estiver com febre. Não é com ela que você tem que se preocupar, mas com a doença que está relacionada a ela. Infecções virais, como gripe e resfriado, são as causas mais comuns, mas também pode haver complicações bacterianas, como otite média, pneumonia e meningite, além de diarreia e até vacina.

Observar muito bem as reações do seu filho é o primeiro passo para detectar a febre. A aparência abatida e a falta de energia mostram que algo está acontecendo. Do contato da mão com a pele da criança você já nota a variação da temperatura, mas é essencial medi-la com o termômetro. No Brasil, a tradição é usar o termômetro de mercúrio ou o digital pelo modo axilar, ou seja, embaixo do braço. Lembre-se de secar o suor para não dar interferência e manter o braço da criança bem próximo ao corpo por três minutos. A temperatura normal de uma pessoa (independentemente de ser uma criança ou um adulto) varia de 35,8ºC a 37,3ºC ao longo do dia. A partir dos 38ºC é considerado febre e ela pode chegar a 41,5ºC.

Controle da febre
Detectada a febre, é hora de controlá-la.Coloque roupas leves na criança e mantenha o ambiente agradável, nem muito quente nem muito frio. Também é comum a perda do apetite, mas tudo normal, não dê comida à força, apenas faça com que ela tome bastante líquido. Você só deve pensar em dar antitérmico à criança quando a temperatura chegar a 38ºC.

Sempre seguindo orientação do pediatra, claro. Também é importante seguir a dosagem e o intervalo indicados por ele. Vale lembrar que o remédio demora de 20 a 40 minutos para agir, e nesse período a febre pode continuar subindo. Por isso, espere pacientemente que entre em ação, não dê doses extras. Aquela velha tática de fazer compressas de água e banho com água morna funcionam para proporcionar bem-estar à criança. Mesmo que seu filho esteja pelando de febre, NUNCA o coloque debaixo de água fria, porque provoca choque térmico e mais desconforto.

O controle da febre é importante para que ela não ultrapasse os 39,5ºC. Apesar de ser um benefício ao organismo, a temperatura muito elevada por tempo prolongado é perigosa, porque provoca um desgaste desnecessário à criança. Com a febre, o metabolismo é acelerado, o coração e a respiração ficam mais rápidos, há maior circulação de sangue, de oxigênio, muita perda de água e, portanto, um gasto maior de energia. “A febre é extremamente útil na faixa dos 38°C a 39ºC, a partir daí, o aumento da temperatura começa a fazer com que cresçam muito os gastos da criança”, alerta o dr. Evandro.

Cada caso é um caso
Administrar a febre é relativamente fácil, mas isso não acaba com a doença de base, que só deve ser medicada após o diagnóstico médico. Às vezes, o próprio organismo se encarrega de eliminar a infecção e fica tudo bem sem maiores complicações. “Não é preciso procurar o médico toda vez que a criança estiver com uma febre. Em geral, nos primeiros contatos da criança com o pediatra ele já orienta como medicar uma febre”, explica a dra. Sandra de Oliveira Campos, filha de Amélia e Manoel, pediatra e professora de infectologia pediátrica da Unifesp. E completa: “No primeiro pico de febre é difícil diagnosticar alguma coisa.”

Outros sintomas
A melhor forma para saber se a febre foi só uma coisa passageira, que depois de medicada foi resolvida, é observar se a criança volta a brincar, sorrir e comer, aí, pode relaxar. O médico deve ser procurado se mesmo depois do antitérmico ela continuar abatida. Outra indicação é ir ao pediatra se a febre persistir por mais de dois ou três dias.

Nem toda febre é tão branda assim. Se ela vier acompanhada de vômito, alteração do estado de consciência, choro constante, manchas na pele, sangramento ou dificuldade de respirar, procure o seu médico imediatamente ou vá até um pronto-socorro. Já as crianças de até 3 meses de idade devem ser levadas ao pediatra assim que confirmada a febre. “É um período que se tem dificuldade de detectar os sinais que vêm junto e não há como separar uma coisa banal da mais séria”, explica Sandra.

O QUE FAZER?
De 37ºC a 38ºC: essa temperatura é considerada estado febril, ou subfebril, nada deve ser feito, a não ser observar.

A partir dos 38ºC: aí já é febre. Dê antitérmico receitado pelo médico, coloque roupas leves e dê bastante líquido à criança. Se a febre cair, mas a criança continuar muito abatida, ou se a febre persistir por mais de dois ou três dias, procure o médico.

O REMÉDIO CERTO
Antitérmico, antiinflamatório e analgésico. Apesar de serem comuns no dia-a-dia, o significado dessas palavras fica um pouco confuso na nossa cabeça e nunca sabemos o que fazer diante da prateleira da farmácia. Na verdade, a explicação é simples: antitérmico é remédio contra a febre, antiinflamatório combate a inflamação e o analgésico, a dor.

Para a febre, não existe uma droga que apresente a ação antitérmica sozinha. Ao contrário, encontramos as três funções (antitérmica, analgésica e antiinflamatória) juntas na dipirona e no ibuprofeno e as funções antitérmica e analgésica no paracetamol, as mais comuns no controle da febre. Pode parecer estranho um mesmo medicamento apresentar várias propriedades diferentes entre si. Mas o modo como os remédios agem no organismo faz com que eles tenham esses vários efeitos. A dipirona e o ibuprofeno têm propriedades antitérmica, analgésica e antiinflamatória porque sua ação inibe a síntese das prostaglandinas, substâncias relacionadas com o processo de febre, dor e inflamação. Já o paracetamol tem efeito analgésico devido à sua ação de inibir os mediadores da dor no sistema nervoso central, além de agir no centro termorregulador do organismo, diminuindo a temperatura do corpo e tendo efeito, portanto, de antitérmico.

De acordo com Emília Vitória da Silva, filha de Vitória, farmacêutica do Cebrim (Centro Brasileiro de Informação sobre Medicamento), apesar de os remédios apresentarem diferentes propriedades, elas não se chocam, apenas atuam onde precisam. Se o quadro é de febre, por exemplo, mas não há dor ou inflamação, o remédio irá atuar somente no combate à febre.

O ácido acetilsalicílico, apesar de também ter essas funções, não é indicado para combater a febre. Em contato com alguns vírus, ele pode provocar a Síndrome de Reye, uma doença degenerativa do cérebro que leva ao estado de coma e até à morte.

Entre o xarope e a gota, opte pelo que tiver melhor aceitação da criança. A dosagem e o remédio são prescritos pelo médico. Os pais nunca devem medicar seus filhos seguindo as dicas do vizinho, do amigo ou porque leu em algum lugar que não seja a receita médica. O pediatra escolhe o mais indicado para a idade da criança e ainda leva em consideração problemas de coagulação, renais, hepático, entre outros.

CONSULTORIA
Dra. Sandra de Oliveira Campos, pediatra.Tel. (11) 5572-0752.
Dr. Evandro Roberto Baldacci, pediatra.Tel. (11) 3083-5598.
Emília Vitória da Silva, farmacêutica do Centro Brasileiro de Informação sobre Medicamentos – Cebrim/
Conselho Federal de Farmácia – CFF.Tel. (61) 321-0555.

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Febre, e agora?

E agora mantenha a calma. Mas sabendo que a febre é o aviso de que algo não vai bem no organismo da criança

Todo mundo que tem filho já levou susto quando viu o termômetro acusar que a temperatura do bebê estava subindo. Por mais normal que seja, é impossível ficar indiferente diante de uma criança fraca, com mal-estar, dores no corpo e sem apetite, os sintomas principais. Mas se a temperatura subiu, saiba que isso é um bom sinal. A febre em si não é doença ou prejudicial ao organismo, mas uma reação que ajuda na defesa contra algum agressor, seja ele uma bactéria, um vírus ou mesmo alguma vacina ou remédio.

“A febre deve ser vista como uma coisa boa, não ruim. Ela é parte fundamental do desencadeamento de todo o mecanismo de defesa”, tranqüiliza o dr. Evandro Roberto Baldacci, pai de Enzo, Letícia, Roberto e Evandro, pediatra e professor titular de pediatria da Unimes (Universidade Metropolitana de Santos).

Então tudo bem se o seu filho estiver com febre. Não é com ela que você tem que se preocupar, mas com a doença que está relacionada a ela. Infecções virais, como gripe e resfriado, são as causas mais comuns, mas também pode haver complicações bacterianas, como otite média, pneumonia e meningite, além de diarreia e até vacina.

Observar muito bem as reações do seu filho é o primeiro passo para detectar a febre. A aparência abatida e a falta de energia mostram que algo está acontecendo. Do contato da mão com a pele da criança você já nota a variação da temperatura, mas é essencial medi-la com o termômetro. No Brasil, a tradição é usar o termômetro de mercúrio ou o digital pelo modo axilar, ou seja, embaixo do braço. Lembre-se de secar o suor para não dar interferência e manter o braço da criança bem próximo ao corpo por três minutos. A temperatura normal de uma pessoa (independentemente de ser uma criança ou um adulto) varia de 35,8ºC a 37,3ºC ao longo do dia. A partir dos 38ºC é considerado febre e ela pode chegar a 41,5ºC.

Controle da febre
Detectada a febre, é hora de controlá-la.Coloque roupas leves na criança e mantenha o ambiente agradável, nem muito quente nem muito frio. Também é comum a perda do apetite, mas tudo normal, não dê comida à força, apenas faça com que ela tome bastante líquido. Você só deve pensar em dar antitérmico à criança quando a temperatura chegar a 38ºC.

Sempre seguindo orientação do pediatra, claro. Também é importante seguir a dosagem e o intervalo indicados por ele. Vale lembrar que o remédio demora de 20 a 40 minutos para agir, e nesse período a febre pode continuar subindo. Por isso, espere pacientemente que entre em ação, não dê doses extras. Aquela velha tática de fazer compressas de água e banho com água morna funcionam para proporcionar bem-estar à criança. Mesmo que seu filho esteja pelando de febre, NUNCA o coloque debaixo de água fria, porque provoca choque térmico e mais desconforto.

O controle da febre é importante para que ela não ultrapasse os 39,5ºC. Apesar de ser um benefício ao organismo, a temperatura muito elevada por tempo prolongado é perigosa, porque provoca um desgaste desnecessário à criança. Com a febre, o metabolismo é acelerado, o coração e a respiração ficam mais rápidos, há maior circulação de sangue, de oxigênio, muita perda de água e, portanto, um gasto maior de energia. “A febre é extremamente útil na faixa dos 38°C a 39ºC, a partir daí, o aumento da temperatura começa a fazer com que cresçam muito os gastos da criança”, alerta o dr. Evandro.

Cada caso é um caso
Administrar a febre é relativamente fácil, mas isso não acaba com a doença de base, que só deve ser medicada após o diagnóstico médico. Às vezes, o próprio organismo se encarrega de eliminar a infecção e fica tudo bem sem maiores complicações. “Não é preciso procurar o médico toda vez que a criança estiver com uma febre. Em geral, nos primeiros contatos da criança com o pediatra ele já orienta como medicar uma febre”, explica a dra. Sandra de Oliveira Campos, filha de Amélia e Manoel, pediatra e professora de infectologia pediátrica da Unifesp. E completa: “No primeiro pico de febre é difícil diagnosticar alguma coisa.”

Outros sintomas
A melhor forma para saber se a febre foi só uma coisa passageira, que depois de medicada foi resolvida, é observar se a criança volta a brincar, sorrir e comer, aí, pode relaxar. O médico deve ser procurado se mesmo depois do antitérmico ela continuar abatida. Outra indicação é ir ao pediatra se a febre persistir por mais de dois ou três dias.

Nem toda febre é tão branda assim. Se ela vier acompanhada de vômito, alteração do estado de consciência, choro constante, manchas na pele, sangramento ou dificuldade de respirar, procure o seu médico imediatamente ou vá até um pronto-socorro. Já as crianças de até 3 meses de idade devem ser levadas ao pediatra assim que confirmada a febre. “É um período que se tem dificuldade de detectar os sinais que vêm junto e não há como separar uma coisa banal da mais séria”, explica Sandra.

O QUE FAZER?
De 37ºC a 38ºC: essa temperatura é considerada estado febril, ou subfebril, nada deve ser feito, a não ser observar.

A partir dos 38ºC: aí já é febre. Dê antitérmico receitado pelo médico, coloque roupas leves e dê bastante líquido à criança. Se a febre cair, mas a criança continuar muito abatida, ou se a febre persistir por mais de dois ou três dias, procure o médico.

O REMÉDIO CERTO
Antitérmico, antiinflamatório e analgésico. Apesar de serem comuns no dia-a-dia, o significado dessas palavras fica um pouco confuso na nossa cabeça e nunca sabemos o que fazer diante da prateleira da farmácia. Na verdade, a explicação é simples: antitérmico é remédio contra a febre, antiinflamatório combate a inflamação e o analgésico, a dor.

Para a febre, não existe uma droga que apresente a ação antitérmica sozinha. Ao contrário, encontramos as três funções (antitérmica, analgésica e antiinflamatória) juntas na dipirona e no ibuprofeno e as funções antitérmica e analgésica no paracetamol, as mais comuns no controle da febre. Pode parecer estranho um mesmo medicamento apresentar várias propriedades diferentes entre si. Mas o modo como os remédios agem no organismo faz com que eles tenham esses vários efeitos. A dipirona e o ibuprofeno têm propriedades antitérmica, analgésica e antiinflamatória porque sua ação inibe a síntese das prostaglandinas, substâncias relacionadas com o processo de febre, dor e inflamação. Já o paracetamol tem efeito analgésico devido à sua ação de inibir os mediadores da dor no sistema nervoso central, além de agir no centro termorregulador do organismo, diminuindo a temperatura do corpo e tendo efeito, portanto, de antitérmico.

De acordo com Emília Vitória da Silva, filha de Vitória, farmacêutica do Cebrim (Centro Brasileiro de Informação sobre Medicamento), apesar de os remédios apresentarem diferentes propriedades, elas não se chocam, apenas atuam onde precisam. Se o quadro é de febre, por exemplo, mas não há dor ou inflamação, o remédio irá atuar somente no combate à febre.

O ácido acetilsalicílico, apesar de também ter essas funções, não é indicado para combater a febre. Em contato com alguns vírus, ele pode provocar a Síndrome de Reye, uma doença degenerativa do cérebro que leva ao estado de coma e até à morte.

Entre o xarope e a gota, opte pelo que tiver melhor aceitação da criança. A dosagem e o remédio são prescritos pelo médico. Os pais nunca devem medicar seus filhos seguindo as dicas do vizinho, do amigo ou porque leu em algum lugar que não seja a receita médica. O pediatra escolhe o mais indicado para a idade da criança e ainda leva em consideração problemas de coagulação, renais, hepático, entre outros.

CONSULTORIA
Dra. Sandra de Oliveira Campos, pediatra.Tel. (11) 5572-0752.
Dr. Evandro Roberto Baldacci, pediatra.Tel. (11) 3083-5598.
Emília Vitória da Silva, farmacêutica do Centro Brasileiro de Informação sobre Medicamentos – Cebrim/
Conselho Federal de Farmácia – CFF.Tel. (61) 321-0555.