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Atualmente, os noticiários meteorológicos muito falam sobre a baixa umidade relativa do ar. A presença do ar seco em grande parte do país surte efeitos na saúde da população brasileira. A chamada síndrome do olho seco é um dos problemas oculares que mais aumentam nesta situação específica, a enfermidade é caracterizada principalmente pela diminuição ou alteração na produção das lágrimas.
A lágrima é muito importante para a visão. É composta por substâncias que protegem o olho contra infecções, que agem como antibióticos naturais, além de regularizar a função visual. Com o clima muito seco, o organismo tem dificuldade em produzir esse fluído lacrimal.
As pessoas que sofrem da síndrome do olho seco sentem como se houvesse areia nos olhos, ardor e até mesmo embassamento na visão. O problema pode criar inflamações crônicas, que afetam principalmente as mulheres acima dos 50 anos.
Mas não vá pensar que por não se enquadrar na descrição você não corre o risco de desenvolver a complicação! O oftalmologista José Álvaro Pereira Gomes explica que o problema pode afetar qualquer um, até mesmo crianças. “Ambientes com ar-condicionado apresentam baixa umidade relativa do ar, o que potencializa o problema. Além disso, o uso contínuo de computador e videogame exige atenção ativa, ou seja, o indivíduo praticamente deixa de piscar para acompanhar o que está vendo”.
Quando você fica por longos períodos sem piscar, a lágrima evapora com mais facilidade, além de não renovar a lágrima presente no globo ocular. O uso incorreto de lentes de contato e o uso de remédios como antialérgicos, antidepressivos e anti-hipertensivos também podem agravar a situação.
Dr. José Álvaro Pereira Gomes alerta que, além do incômodo dos sintomas, o problema leva a uma aceleração da morte das células presentes na córnea (parte anterior ao olho, que protege o globo ocular). Também pode causar irregularidades na superfície ocular, aumentar a incidência de quadros infecciosos, como conjuntivite e úlcera da córnea, que em casos extremos podem levar à perda da visão.
Como tratar
A ausência de lágrimas deixa o olho muito mais exposto a agentes externos, como infecções. O tratamento consiste em reverter o quadro seco e hidratar o olho. Vale colocar umidificador de ar na casa, ou escritório, ajustar a posição do computador – o ideal é que a tela fique abaixo da linha do olhar, alertar os pequenos para que não passem tempo excessivo na frente do videogame, tomar muito líquido, para hidratar todas as mucosas e, consultar um especialista.
“O uso de colírios é indicado apenas com receita médica, pois há diferentes tipos com diferentes efeitos”, explica Dr. José Álvaro Pereira Gomes.
E nos pequenos?
Os problemas oftalmológicos são mais difíceis de serem identificados em pacientes mais novinhos, então o especialista aconselha aos pais que observem se os olhinhos da criança estão brilhantes, isso é sinal de boa lubrificação.
Outra dica é observar se a criança pisca normalmente, pode parecer estranho, mas às vezes quando as crianças estão tão entretidas podem esquecer até mesmo dessas necessidades básicas! E, por último, hidratar bem seu filhote, pois assim você previne não apenas doenças oftalmológicas, como também complicações respiratórias, que têm maior incidência nesse tempo super seco.
CONSULTORIA: JOSÉ ÁLVARO PEREIRA GOMES, PAI DE SOFIA, É OFTALMOLOGISTA E FAZ PARTE DA DIRETORIA DA APSO – ASSOCIAÇÃO DOS PORTADORES DE OLHO SECO. |